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quinta-feira, 10 de junho de 2010

Os planos daquele assalto

Nunca imaginei estar aqui hoje, nesse fim de tarde rosado de uma quarta-feira tediosa, sentado na varanda, esperando o tempo passar. Velho e acabado. Os anos foram cruéis. Vejo o sol nascendo e se pondo, sem nunca envelhecer. Quantos anos tens, sol? Bilhões, talvez... E ainda assim permanece sempre com esse explendor. Eu é que me deixei vencer pelo tempo. Deixei que as dificuldades me afogassem nesse mar de tristezas que é a vida. Não tive força suficiente pra conduzir meu barco.
Rugas e cabelos brancos. Olhos fundos. Minha idade eu nem lembro mais. Da minha vida eu pouco sei. Lembro-me dos meus planos. Dos planos daquele assalto. Quantas noites planejando em vão. Houveram dias em que esse objetivo não saia da minha mente. Meus olhos viam o alvo daquele furto. Meus dedos se mexiam frenéticamente pensando no toque suave. Sim, eram excelentes planos. Estava tudo pronto. Perfeito. O crime perfeito! Ou melhor, nem tão perfeito... Porque falhou... Não consigo acreditar. O plano daquele assalto... Sim, eu seria um ladrão, mas um ladrão feliz! Sabe o que eu pretendia roubar? Exatamente, eu roubaria teu coração! Esse era o plano! Planejei roubar teu coração, e quando me dei por conta, o meu ja havia sido roubado... Perdí meu coração... Os planos não deram certo, e fiquei vazio. Caminhando pela rua encontrei um pedra do tamanho da minha mão. Achei-a bonitinha, ajeitada. Coloquei-a no peito e saí por aí.
Hoje, cá estou. Com um coração de pedra, um coração perdido, um plano falho e um amor que nunca veio... Ai, ai, como consegui chegar até aqui?

Thiago M. Lacerda